Aracaju, 25 de Abril de 2017
Por que os ricos roubam?


No Brasil, nos últimos tempos, temos visto escândalos de corrupção envolvendo políticos, gestores, empresários e autoridades de todos os segmentos. Sergipe não fica fora dessa realidade que desmoraliza as instituições e compromete a estabilidade financeira e social da nação. É comum vermos que quem tem o suficiente para viver bem (num país onde o salário de referência do trabalhador é de R$ 880,00), querer sempre mais, muito mais, de qualquer maneira e a qualquer custo. Se apropriando ilicitamente e reiteradamente dos recursos públicos do povo.

 

O filósofo Epicuro muito bem sintetizou essa problemática, deduzindo: “Nada é bastante para quem considera pouco o suficiente”. Já o jornalista Paulo Moreira Leite, em entrevista à Revista Veja de 09 de agosto de 1995, declarou que o sociólogo “Florestan Fernandes, em A Revolução Burguesa No Brasil, fez um retrato dos homens do poder e do dinheiro, mostrando uma classe que eterniza impasses históricos em sua resistência à mudança social”. Essa mudança social se refere à efetiva redução das desigualdades numa sociedade já tão desequilibrada como é a brasileira.

 

Alguém falou que “As virtudes se perdem no interesse como o rio se perde no mar”, talvez fosse por isso que o escritor Emerson tenha declarado: “Não diga coisas. Aquilo que você é ressoa tanto que eu não posso ouvir o que você diz em contrário”. No legislativo, no executivo e no judiciário no Brasil se faz de tudo a fim de se adquirir vantagens e mais vantagens, quando não propinas e mais propinas. Sangrando os recursos até dos serviços essenciais. As atividades melhor remuneradas e mais importantes do serviço público deixaram de ser buscadas por vocação.  

 

O servidor público agora tem como objetivo enriquecer. Ao invés de servir à sociedade e progredir funcionalmente ou se habilitar para outros cargos e funções mais vantajosos, geralmente procura artifícios para servir aos seus interesses imediatos, inclusive o de não trabalhar. Procurando se apropriar indevidamente dos recursos públicos para beneficiar a si próprio e aos seus. Até, muitas vezes, formando uma quadrilha doméstica. Não se busca mais a riqueza somente na atividade comercial, industrial, artística, desportiva, tecnológica ou por meios das loterias.

 

O objetivo de agora é o de disputar o acesso ao gordo cofre público, abastecido com parte dos parcos recursos de cada trabalhador brasileiro, do cidadão que é extorquido pelos governantes até à exaustão, até se exaurir seus recursos financeiros, sua tranquilidade psicológica, sua paz espiritual e sua dignidade social.  Os ladrões de rua de hoje seriam uma versão inconsciente, distorcida e perversa do Robin Hood do cinema? E os ladrões modernos, nos gabinetes e de ternos, seriam o que? O brasileiro realmente ficou livre da exploração que começou com a derrama portuguesa?

 

Por que quem tem bom salário e bens “rouba”? E por que rouba dos que não têm? Será que é porque no Brasil roubar é fácil e é “permitido”? Isto é, é aceito passivamente pelos outros pares integrantes dos poderes? Atestamos a sentença do escritor holandês Pierre Van Passen, que bradou: “O dinheiro é o deus do século 20, e, em seu altar, se sacrifica tudo, primeiramente a honra”. E os “desvios” são de centenas de milhões para coisas supérfluas se comparadas às necessidades dos cidadãos comuns que precisam de alimentação, moradia, saúde, educação e segurança.

 

Gandhi já pensava nessa questão e em sua preocupação com o conjunto social, declarou: “A terra provê o suficiente para as necessidades de todos os homens, mas não para a voracidade de todos”. A condição humana sempre foi relegada a segundo plano, seja nos projetos de poder político, econômico ou pessoal de mandatários integrantes do Estado, delegados do povo. Se julgados por essa prática, em sua natureza, esses representantes do povo seriam condenados pelo crime de lesa-pátria e por alta traição à confiança depositada pelos detentores da soberania democrática.

 

Uma boa novidade é que as máscaras caíram, o véu de inocência das massas se rasgou de alto a baixo. Abre-se a visão para a opressão que perdura sob novas formas de atuação. Abre-se caminho largo para o ceticismo, para o amoralismo e para a anarquia, componentes do niilismo, nesse caso, pelo viés político. Finalmente a inocência das massas sucumbiu e redundou nesse sentimento de orfandade social que o Estado tão bem camuflou. Estado e democracia plena não são sinônimos. O Estado já foi travestido de monarquista, comunista, fascista, socialista... e ainda não resolveu a problemática social. No Brasil tornou-se o garimpo dos ladrões.

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