Aracaju, 22 de Junho de 2017
Nem tudo muda


Há alguns anos foram iniciados no Brasil movimentos sociais que exigiam a liberação do aborto, da prostituição, do casamento gay (com adoção de filhos), etc. Esses movimentos, como todos os outros, a exemplo do que pede a liberação das drogas, são legítimos para os cidadãos. No entanto devemos lembrar que o Estado é laico, ele não fornece assistência religiosa à população. A Igreja não é do Estado. E a própria lei que constitui esse Estado faculta e garante ao cidadão o direito livre de culto.

 

Portanto, se pode reivindicar que o Estado aprove as práticas requeridas pelos integrantes desses movimentos sociais (como o casamento civil para entes do mesmo sexo), mas eles não podem exigir que as entidades religiosas tradicionais, independentes e autônomas sejam obrigadas pelo Estado a mudar suas regras e preceitos a fim de servir a interesses contrários. A Igreja não é uma entidade com princípios seculares, portanto não pode estar ao dispor de movimentos que adotam princípios eminentemente culturais.

 

No ano de 2013 a Marcha das Vadias saiu às ruas do Rio de Janeiro e afrontou a fé dos cristãos. Destruiu símbolos sagrados de religiões, ofendeu o sacerdote que preside a Igreja Católica por esta não se moldar aos seus costumes e práticas conflitantes com os princípios bíblicos. A Igreja, fundamentada nas Escrituras Sagradas, existe para mudar as pessoas, convertendo-as aos seus preceitos, não o contrário. Essa ideia de submeter a Igreja aos interesses pessoais é, antes de tudo antidemocrática, porque quer submetê-la forçosamente. Ao contrário da Igreja, que apenas chama os que voluntariamente desejam congregar.

 

Nos primeiros anos da ditadura militar no Brasil o governo referendou uma frase, criada por algum beneficiário daquela ordem estabelecida, destinada aos opositores do regime de exceção: “Brasil, ame-o ou deixe-o”. Atualmente, vivendo em tempos de futilidades em alta e da moda de “libertação” de antigos princípios e valores, quando presenciamos rápidas e profundas transformações na sociedade, copio a célebre frase para me referir à figura de Deus, o Criador: “Ame ou ignore-o”. Não se queira mudar os Seus princípios, os Seus valores, as Suas sentenças. Sejamos nós – e somos - os errados, os injustos, os levianos.

 

Quando a igreja cristã recusa o aborto, a prostituição, o homossexualismo, a poligamia, o enfraquecimento da família... defende os princípios bíblicos, inspirados no homem pelo Eterno. Deus não muda Sua natureza ao bel interesse de grupos sociais, ou em virtude da mudança dos costumes. A igreja representa os interesses de Deus, as Suas leis – as quais revelam o espírito (natureza) divino.

 

Quando quisermos matar os filhos não planejados (fetos têm vida como qualquer ser humano), usar o nosso corpo em criativas atividades sexuais – opostas a original, banalizar o matrimônio, ter vários cônjuges ou anular a autoridade dos pais, fiquemos à vontade para fazê-lo e assumamos a nossa independência e autonomia. Não queiramos pautar a igreja pelos nossos princípios e desejos nem fazer de Deus um agente de homologação do nosso eu.

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09/06/2017 JUIZ DE PISO
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