Aracaju, 24 de Junho de 2017
A MORTE DE DEUS


Nietzsche anunciou a morte de Deus nas civilizações. E ela pode acontecer de várias formas. Embora um ser humano não possa definir a Deus, ele pode imaginá-Lo. Ou seja, pode fazer uma imagem dele. Pode idealizá-Lo, construindo em sua mente o Seu ser com os Seus atributos (Sua natureza, objetivos e ideais) e a Sua “performance” (Seu modo de agir no mundo material e humano). Desta forma pode-se sentir por Ele admiração ou estranhamento, mero espanto ou temor, atração ou desprezo, afinidade ou repulsa. Isso dependerá da coincidência ou discórdia de ideais. E, até mesmo, de conflito de interesses. Por isso é possível experimentar n’Ele (ou na projeção que se fizer d’Ele) alegria ou tristeza, esperança ou decepção, fé ou descrença. Este último item é, nada mais, que a negação do que Deus é e, em última instância, do que Se propôs a ser para o homem.

 

É forçoso idealizá-Lo como tudo ou como algo apenas. Nunca como nada. Já que Ele existe efetivamente, em diversas formas, para todas as civilizações que existiram e que existem. Ao menos, nessa projeção espiritual e cultural.  A própria teoria de Darwin não o anularia, caso fosse ela “a verdade” universal, já que ela se refere ao início do surgimento das coisas materiais (a Gênese física), mas não explica o princípio geral que tornou isso possível. Ainda assim é possível matar a Deus. Ao menos dentro de nós. Isso é possível quando se nega a Sua existência como a essência de todo o universo existente. Quando se nega o seu sentido de, imperativamente, sagrado. É certo que a Sua existência como essência do universo ainda é incompreensível didaticamente e só é possível por meio da intuição que sempre é inovadora, não dogmática como se limita as religiões que O veneram.

 

A sacralidade (de sagrado) de Deus é dependente do reconhecimento de Sua santidade, onisciência, onipotência e onipresença que definem a Sua eternidade. Mas, principalmente, entre nós, a Sua sacralidade é dependente da separação completa do profano, do mundano, do banal. E isso é ferrenhamente atacado quando, por exemplo, o jornal anarquista Charlie Hebdo produz em sua capa uma charge tosca, ridícula, aviltante em excesso com o símbolo mais sagrado do cristianismo: o Pai, o Filho e o Espírito Santo, a Trindade que forma a divindade criadora e mantenedora do mundo material e dos seres imateriais. E isso com o simples objetivo de impactar o mercado publicitário a fim de auferir lucro financeiro, tripudiando a fé alheia. Uma falta de respeito inconcebível, revoltante. Esta atitude reacionária ainda foi amparada por “intelectuais”, mundo a fora. Intelectual não é o ente apropriado para raciocinar sobre o que não é racional. A lógica não explica a fé, porque esta não está sujeita àquela.

 

Abuso da fé também pode se fazer quando, dentro de denominações religiosas, se fizer do sagrado, do divino um projeto somente para arrecadar fundos e auferir vantagens pessoais. Deus está morrendo em muitas pessoas e sendo eliminado em muitos templos. É possível a gente ser “pecador” sem que seja preciso anular a Deus para nos justificar, ou seja, para nos tornarmos os certos e bons. Em momento de crise pessoal, há poucos dias, falei: Senhor me julgue como homem, que sou; eu te amo como o Deus que tu és. Nada posso fazer para te merecer. Só a Tua misericórdia é o meu abrigo.

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09/06/2017 JUIZ DE PISO
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