Aracaju, 23 de Janeiro de 2017
Riqueza e pobreza na democracia


A classe média patina entre conquistas e perdas, num eterno jogo de controle social em que o Estado dito democrático tem uma natureza similar aos piores regimes

 

A burguesia é a classe social que está no topo da sociedade por ser detentora das grandes indústrias, casas comerciais, construtoras, bancos, etc. Dizem que ela é constituída por cerca de 2% da população do Brasil. Burguês é a qualidade de quem integra o seleto grupo que comanda os meios de produção, distribuição e venda de bens de consumo, controla o capital financeiro e manipula os grandes contratos do Estado.

 

Esse Estado que organiza o sistema econômico sempre a preservar a supremacia da classe dominante por sobre a força de trabalho (a classe do proletariado) para esta servir à estrutura implantada pela burguesia histórica. Ainda, invariavelmente, com seus impostos extorsivos, mina a classe média, composta de poucos cidadãos que emergem da base social por meio da prestação de serviço - mediante boa formação acadêmica -, médio comércio ou alguns empregos públicos de alto prestígio. Além dos políticos de carreira.

 

Embora os lucros exorbitantes fiquem com a classe burguesa dominante e os recursos públicos fiquem com o governo – que faz uso dele de forma política, irresponsável ou criminosa -, é a classe trabalhadora que mantém o funcionamento da indústria, do comércio, da prestação de serviço simples, e é quem também compra o que produz, gerando impostos (abusivos) e é quem garante o funcionamento permanente do Estado, notadamente dos serviços essenciais como os de saúde, educação e segurança pública.

 

A classe média patina entre conquistas e perdas, num eterno jogo de controle social em que o Estado dito democrático tem uma natureza similar aos piores regimes, que segregam economicamente, já que a elite dos regimes autoritários, de esquerda ou direita, é sempre privilegiada. E a população não tem espaço para crescer, isto é, ascender socialmente, o que se inicia no prosperar economicamente. Às vezes, uma pessoa passa quarenta anos de sua vida para galgar uma posição de mera estabilidade financeira. Quando já está chegando o cansaço e o enfado dos anos.

 

É bom pensar que o Estado autoritário, monárquico ou republicano (presidencialista ou parlamentarista), não pode resolver a questão da pobreza e da falta de emprego de toda a população – ao menos nos grandes países. Não há tudo para todos. Nessa realidade, aquele que nada tem trabalha muito para ter um pouco. O que ganha muito investe parte do que ganha para gerar outros postos de trabalho para os desempregados. E esses trabalhadores são os que vão consumir parte do que é produzido.

 

Na prática, o governo é apenas a gerência do Estado imparcial, neutro. O administrador de plantão de uma “máquina” de arrecadar, por meio de um indiferente sistema institucionalmente político. O Estado “democrático” controlador, coercitivo, manipulador é um mal necessário. Ele é a base para a convivência pacífica e nos concede algumas garantias. Melhor que o anarquismo e o autoritarismo – seja este de que bandeira for. Porém o lema “do governo do povo, pelo povo, para o povo”, efetivamente representativo da pessoa enquanto cidadão é um engodo, uma utopia, um conto de fadas. Ao menos, no Brasil.

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