Aracaju, 23 de Outubro de 2018
A fórmula do sucesso de Bolsonaro, escreve Xico Graziano


Direita, direito e direto. Essa tríade conceitual caracteriza a biografia política de Jair Bolsonaro. Ser o anti-PT garantiu sua vitória eleitoral. A fórmula final, portanto, é esta: Bolsonaro = 3D – PT

A questão, óbvio, não é matemática. Mas a linguagem das exatas ajuda a compreender um fenômeno simples que o raciocínio complexo, típico das ciências sociais, não está conseguindo explicar: afinal, por que Bolsonaro faz tanto sucesso?

Primeiro, o capitão expressa uma posição ideológica conservadora, combate a ideologia de gênero, defende a família como núcleo essencial da sociedade, propugna a força militar para enfrentar a criminalidade. Bolsonaro é um representante típico daquilo que se caracteriza como direita.

Nos costumes e na moral, diriam alguns, mais entendidos. Sim, porque na agenda econômica, Bolsonaro já demonstrou várias vezes ter tendências estatizantes, o que tradicionalmente caracteriza a esquerda. Militares, em geral, não são muito liberais.

No século 21, quase 30 anos após a derrubada do muro de Berlim, em plena era digital, é ultrapassado reduzir o mundo entre “esquerda e direita”. Esse é o maior erro da análise política tradicional, ao tentar explicar o fenômeno Bolsonaro.

Não é que desapareceram as ideologias. Residualmente, e utopicamente, elas permeiam muitos movimentos da sociedade. Outras preocupações, porém, se sobressaem, particularmente na agenda brasileira. A decência é uma delas.

O próprio Bolsonaro diz que o taxam de misógino, homofóbico ou racista simplesmente porque não conseguem chamá-lo de corrupto. Faz sentido. Desde 1991, com 7 mandatos na Câmara dos Deputados, nunca nem ninguém, antes ou agora, o acusou por safadeza. Bolsonaro é um homem direito.

Somente isso já o qualificaria nesse mar de malandragem que se transformou a política nacional. Bolsonaro desmente a máxima popular de que “todos os políticos são ladrões”. Poucos jornalistas ou analistas perceberam, ou destacaram, o enorme valor eleitoral disso.

Em terceiro lugar, Bolsonaro é direto. Fala o que pensa, não floreia, não faz discurso cheio de trololó, não foge de assuntos difíceis. Essa linguagem franca, reprovada na política tradicional, onde se ensinava a tergiversar, vale ouro hoje nas redes sociais.

Bolsonaro não é fake dele próprio, como a maioria dos políticos. Quando você assiste a um vídeo dele, julga-o verdadeiro, sincero. Zero marketing. Não se compreende sua tremenda força política sem atentar para essa característica de sua comunicação. Bolsonaro transmite coerência.

Direita, direito e direto: esses são os 3 Ds que catapultaram Bolsonaro. O modo de ser, a personalidade, o caráter pessoal, são atributos desdenhados pela análise ideológica. Perde, por isso, o nexo com a realidade.

Falta, por fim, colocar o antipetismo na equação. O cacife de Bolsonaro cresceu porque ele encarnou a luta contra a quadrilha vermelha. Parte de seus votos vieram da repulsa ao Lula e seu ventríloquo de plantão. O “PT nunca mais” grudou no Bolsonaro.

Portanto, Bolsonaro = 3D – PT. Conforme queríamos demonstrar. CQD.

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