Aracaju, 16 de Julho de 2018
Nunca as curvas de desaprovação de Lula e Moro estiveram tão próximas


ALBERTO CARLOS ALMEIDA 
09.jul.2018 (segunda-feira) - 4h00
atualizado: 09.jul.2018 (segunda-feira) - 6h14

A pesquisa contratada pelo jornal Estado de São Paulo à Ipsos mostra que o eleitorado brasileiro, a partir de julho de 2017 até agora, vem avaliando Lula de maneira menos negativa, curva inversa à do juiz Sérgio Moro.

O gráfico abaixo mostra em vermelho a proporção de eleitores que desaprova totalmente Lula. Em amarelo é possível ver a curva de quem desaprova totalmente o juiz federal Sérgio Moro. Em cinza está a diferença entre essas duas aprovações.

O máximo dessa diferença foi em dezembro de 2016, quando a desaprovação de Lula era 42 pontos percentuais mais elevada que a desaprovação de Sérgio Moro. De abril a julho de 2017 a desaprovação de Lula ficou na média 36 pontos percentuais acima da desaprovação popular de Moro. A partir daí a distância entre ambos só fez cair, hoje ela é 10 vezes menor do que era naquele período.

Como se observa no gráfico, em julho de 2017 a desaprovação de Sérgio Moro era 18% e a de Lula era 54%. Passados 11 meses, em junho de 2018 a rejeição ao juiz é de 40% e ao político de 43%. Note-se que foi justamente no período em que a imagem de Lula melhorou e a de Sérgio Moro piorou que o juiz condenou e mandou prender o político.

Na semana passada, em artigo ao Poder360, mostrei que a desaprovação de Moro caminhou junto com a de Temer, as duas cresceram mais ou menos no mesmo período. O que vemos agora é a relação inversa, enquanto a imagem do juiz piora a de Lula melhora. A evolução das desaprovações de Lula, Temer e Moro estão conectadas.

As ações de Moro, para um determinado segmento do eleitorado, retiram-no do papel imparcial que seria típico de um magistrado e o colocam em um dos lados do espectro político, o lado anti-PT. A mídia vem divulgando já faz tempo todas as ações de Sérgio Moro no que tange aos processos que envolvem Lula. Mais do que isso, antes do impeachment e no dia da maior manifestação pela queda de Dilma realizada em todo o país, com destaque para a grande multidão que se reuniu na Avenida Paulista, Moro emitiu nota à imprensa comentando os fatos políticos daquela semana.

De uma maneira ou de outra, para a opinião pública é possível associar as decisões de Moro tanto à queda de Dilma quanto à condenação e confinamento de Lula. O juiz nunca buscou ser discreto, antes pelo contrário, seguindo o que ele mesmo escreveu no artigo que avaliava a operação mãos limpas na Itália, sempre se utilizou da mídia e da mobilização da opinião pública no esforço de condenar os poderosos. Quando alguém entra pelo cano só é possível sair quando o cano termina. Moro foi à opinião pública, foi julgado positivamente por ela e, ao se colocar como um juiz anti-PT (aos olhos do eleitorado) se colocou como um juiz favorável ao Governo Temer.

Porém, o governo Temer é hoje muito mal avaliado e o PT e Lula se posicionaram como os principais baluartes da oposição. Assim, é possível compreender que a avaliação da imagem de Moro e Temer caminhem juntas ao mesmo tempo em que vão em direção contrária àquele que hoje representa a mudança política no Brasil.

Alberto Carlos Almeida

Alberto Carlos Almeida, 52 anos, é sócio da Brasilis e do Inteligov. É autor do best-seller “A cabeça do Brasileiro” e diversos outros livros. Foi articulista do Jornal Valor Econômico por 10 anos. Escreve semanalmente para o Poder360. Seu Twitter é: @albertocalmeida

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