Aracaju, 19 de Julho de 2018
O Brasil de Anitta


Eis que surge algo a destoar da mesmice nacional: o novo álbum da cantora Anitta, uma versão contemporânea de Carmen Miranda, a pequena notável - que não era brasileira, nasceu em Portugal, a emplacar no cenário internacional com seu novo trabalho, aí incluído a música Vai Malandra. Carmen Miranda se imortalizou rebolando e se fantasiando, Anitta se destaca dentre os demais artistas brasileiros remexendo a bunda e se desnudando. Para tal ela se veste como se estivesse indo se bronzear nas praias cariocas e dança como se estivesse ensaiando para uma sessão de streap-tease para o namorado. Mas, tem a qualidade do talento. Ela canta bem.

 

O seu clipe Vai Malandra tem o privilégio de mostrar a face mais real do brasileiro, independente de classe social ou de região onde viva: a malandragem como atalho para se beneficiar, ou seja, no vocabulário nacional: “se dar bem”. Isso ela faz ao misturar o ambiente local, com suas peculiaridades, ao de um palco no show business americano, contradizendo a proposta inicial, que nos sugere. Torna-se assim algo ambivalente, de dúbio sentido. Ao modo dos norte-americanos, a quem quer impressionar, ela introduz no clipe a bandeira nacional, não no topo como lá, mas rente ao chão. O seu show de final de ano foi o que de melhor se viu no ano passado.

 

No entanto a questão que se impõe, também, é a da cultura da banalização do corpo enquanto instrumento de dignidade pessoal. Para a maioria a mensagem atual de “empoderamento” da mulher se resumiria ao fato de se demonstrar que os homens se arrastam pelos seus corpos esculturais, submissos aos seus encantos e caprichos menores? A força da mulher se resumiria a fugacidade do prazer sexual e da efêmera boa forma física feminina? Então teríamos voltado aos tempos do império dos sentidos, das cavernas, quando o macho forte dispunha de várias fêmeas procriadoras.

 

O clipe mostra parte da realidade do Rio de Janeiro e do Brasil. Mostra a cara das suas comunidades nascidas de favelas, os becos escuros distantes da lei, o clima de uso de drogas... Nos trás à lembrança o jeito largado do brasileiro com relação aos seus costumes e modo de viver, a vulnerabilidade dos filhos de pais separados, a falta de valores saudáveis da juventude. Num país de corrupção geral, vai malandra! Para onde? Para onde esse Brasil medonho está nos levando, que é o caminho da desonestidade antissocial e do abismo da cultura das cavernas, dos instintos primários.

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