Aracaju, 17 de Dezembro de 2017
A BUSCA


Eu sempre te procurei. Desde bem novo, menino. Procurei-te no céu, nas estrelas. Procurava-te nas tempestades, entre trovões e raios. Procurava-te em sonhos. Lá, no abismo do meu interior, eu te sentia. Sereno, quieto, atento, a nos observar. E eu sempre te falava coisas, sem esperar respostas. Mas sabia que você me entendia. E pensava até que você sorria alguma vez com minhas tolices de menino. Você era o meu amigo secreto, de quem eu não falava para as pessoas porque não sabia como fazê-lo. Às vezes, eu contemplava o grande firmamento azul, pintado com manchas brancas e um iluminante sol amarelo a clarear tudo e ria devagarzinho, feliz sozinho e sem motivos. Alguma vez sentado num galho grosso da goiabeira do meu quintal, enquanto comia as frutas verdosas, eu imaginava (e te dizia) o que eu precisaria fazer para te encontrar. Quando, aos doze anos, eu li o livro que contava a história de Zezé e o pé de laranja lima, pensei: ele procura o mesmo que eu. Na igreja, aos domingos, nos falavam sobre você, mas não diziam como encontrá-lo. Então, você se tornava como o pote de moedas de ouro no fim do arco íris, o tesouro do navio que naufragou em algum oceano ou foi enterrado em alguma ilhota, ou a estrela cadente que passa lá longe, sempre ligeira. E, algumas vezes, eu pensava (isso eu não lhe dizia) se nunca iria lhe encontrar ou ao menos lhe ver por detrás daquelas tempestades maravilhosas que me davam vontade de sair voando e ficar lá na origem do fenômeno porque sabia que por lá você estaria. E eu, então, me riria do medo dos homens valentes e das mulheres que os fascinam. Ouvindo o mavioso som do ribombar dos trovões e o brilho dos raios passeando na terra entre abundante chuva. Também em muitos momentos eu me esquecia de você e fazia coisas que eu não queria que você visse. Então a tristeza se espalhava dentro de mim ao pensar que nunca mais lhe veria. A rejeição sua seria o fim de tudo. Mas, para minha surpresa, logo eu estava de novo a lhe falar como se você estivesse aqui pertinho, esperando por mim, pelas minhas indagações e esperanças. Porque esperança vem de esperar algo acontecer. E tantas coisas aconteceram. Nem sempre o que eu queria, mas sempre o que eu precisava. Sua mão invisível conduziu tantas coisas favoravelmente, quando a esperança parecia que iria sucumbir. Hoje eu entendo que eu lhe encontrei desde que te busquei a partir de dentro de mim e a sua voz não era audível porque ela não vem pelo o ouvido, como a nossa, ela vem pela alma e faz morada no coração.

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