Aracaju, 19 de Novembro de 2017
Resumo da história recente da Polícia Civil sergipana


No ano de 1989 A Polícia Civil sergipana era muito diferente do modelo atual. Tanto que quem a comandava nessa época era um coronel da Polícia Militar, o saudoso João Barreto Mota, homem de fibra que amava o que fazia. Substituindo o procurador de justiça Fernando Matos (1987/1988) assumia a secretaria da segurança o coronel do exército R/R, Eduardo Pereira. A gestão de ambos durou até o início de 1991. Os cargos de delegado eram comissionados e, na capital, exercidos por noviços Bacharéis em direito. No interior esses cargos eram ocupados por sargento, tenente ou capitão da PM, e mais raramente por agente ou escrivão da Polícia Civil. Não existia a carreira policial civil. Na maior parte das delegacias do interior não existia policiais civis para integrar a Polícia Judiciária. Policiais militares eram quem faziam o serviço daqueles.

 

Mais da metade do efetivo da PC da capital era composto de servidores simples oriundos de diversos setores da administração pública estadual, requisitados para suprir a demanda que a falta de concurso público causava. Eles conduziram a instituição polícia civil por algumas décadas, porque embora tenha havido um concurso público em 1979, só no concurso de 1987, início do governo Valadares, foi introduzido na PC uma quantidade significativa de agentes investigadores no seu plano de modernizar a PC, mesmo contra as correntes políticas de então, quando eu fui contemplado com uma vaga. Somente no ano de 1991 foi criada a coordenadoria de polícia da capital, ocupada pelo advogado criminalista Emanuel Cacho; a corregedoria de polícia civil, comandada pelo advogado Jonas Amaral e pelo defensor público Raimundo Veiga, na gestão do secretário de segurança Flamarion Dávila, promotor aposentado, e do superintendente (Chefe de Polícia) Gildo Silveira Mendonça, Coronel R/R EB, no governo de João Alves. Também se iniciou a Escola de Polícia, tornando-se academia no molde atual em 1999, no governo Albano Franco.

 

Em dezembro do ano de 1993 eram incorporados á Polícia civil dezoito delegados aprovados no primeiro concurso público para o cargo, por determinação do STF, já que Sergipe era o único estado da federação que dispunha de delegados de polícia não concursados, entre eles notáveis delegados, à exemplo dos bacharéis Clélio Lins Batista, João Sacramento, Edson Trindade, Marco Passos, Eribaldo Cavalcante e do tenente PM Aragão. Ainda assim restaria cerca de oitenta vagas, já que, depois dos cargos de direção, havia cerca de vinte unidades policiais civis na capital e setenta e quatro no interior a serem preenchidas. Durante alguns anos ainda prevaleceu uma significativa quantidade de pessoas assumindo delegacias na capital e interior, nomeados em cargo comissionado.

 

Somente no ano de 2002 ingressaram novos delegados aprovados em concurso realizado no segundo governo de Albano Franco. Mesmo com a chegada dos primeiros delegados concursados da Polícia Civil o comando da instituição foi sendo ocupado aos poucos. Começando pela coordenadoria da capital, depois a do interior para, na gestão profícua do secretário da SSP Wellington Mangueira, no início do primeiro governo Albano Franco, a chefia da PC ser entregue ao delegado concursado Paulo Ferreira, que juntamente com Wellington Mangueira, estabeleceu uma nova realidade na Polícia Civil, reestruturando a instituição com um projeto de modernidade, inclusive acabando com a prática corriqueira da tortura e da pistolagem. Dois homens cuja afinidade entre si era a da visão de uma polícia eminentemente cidadã, afinada com a realidade que se impunha após a redemocratização do país: a do Estado Democrático de Direito. E não mais deixou de evoluir. Hoje a Polícia Civil sergipana é modelo a ser copiado por outros estados membros da federação brasileira, apesar da grave crise financeira nacional que lhe tira os recursos necessários para a sua atividade mais efetiva em prol da sociedade sergipana.

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