Aracaju, 20 de Outubro de 2017
Voltamos ao tempo da exclusão


Por todo o País, universidades federais relatam dificuldades em sustentar as atividades até o fim do ano letivo. Com o corte em R$ 4 bilhões do orçamento para educação, o principal desafio está em manter os contratos com terceirizados, responsáveis pela limpeza e segurança das instituições. Acompanhar essa notícia, para mim, enquanto brasileiro e professor, é uma temeridade.
O fato é que todos nós estamos sendo afetados por esse modelo de condução da economia que prioriza a diminuição do Estado brasileiro e o processo de apartação. O conceito de apartação é aquele no qual você segrega a sociedade. Estamos voltando ao tempo que uma parte da sociedade é excluída das políticas e da agenda do Governo brasileiro.
Quando Lula assumiu a presidência, o seu grande mérito foi fazer um governo para todos os brasileiros. Com isso, o Brasil cresceu. Nada menos que 40 milhões de pessoas das classes C e D, o equivalente a quatro vezes a população de Portugal, renasceu das classes que estavam excluídas das oportunidades que a riqueza do País podia oportunizar.
Entre os programas sociais implantados por Lula estão o Luz Para Todos, o Programa de Arrendamento Residencial (PAR), o Ciência sem Fronteiras, o Bolsa Família, a expansão das universidades públicas e institutos federais de educação, as cotas sociais para o ensino superior, a aposentadoria rural por idade, o ganho real no salário mínimo, entre muitos outros que garantiram dignidade ao povo brasileiro.
Estamos agora, novamente, diante de um processo no qual todos esses incluídos vão, paulatinamente, ser excluídos. Tudo isso para que essa montanha de recursos volte para as mãos dos de sempre, as elites brasileiras, os mesmos que não querem a distribuição da riqueza nem a inclusão das pessoas, o que é um equívoco. A inclusão gera mais microempresários, faz surgir novas micro e pequenas empresas. Há todo um setor médio que cresce junto com as classes C e D. São justamente esses setores que acabam sendo geradores de empregos e de negócios.
Porém, o que vamos ver nos próximos períodos - e já estamos vendo agora -, com a retirada de um milhão de pessoas do Bolsa Família, a redução do Programa Universidade para Todos - ProUni -, do Fundo de Financiamento Estudantil - Fies -, dos recursos para as áreas da saúde e da educação, além do desinvestimento na expansão do ensino superior é um reflexo destrutivo. Com tudo isso, quem vai ficar de fora do acesso à educação? Certamente não é quem tem condição de pagar.
Quem vai ficar de fora é quem não tinha condição de pagar, mas que conseguia custear os estudos por meio das políticas públicas inclusivas. Assim sendo, essa paralisação das universidades é algo que precisa ser denunciado, pois a finalidade disso tudo é governar para uma pequena parte da sociedade. Com a grande parte dela voltando a ser excluída, sobrará dinheiro para financiar o ganho do grande capital, da burguesia brasileira, que não admite a inclusão dos que mais precisam.

 

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