Aracaju, 20 de Outubro de 2017
SAIBA QUEM É O MARGINAL QUE DETONOU A REPÚBLICA: Joesley, o pragmático


Os vídeos da delação de Joesley Batista, dono de um conglomerado de empresas que inclui a maior processadora de carne animal do mundo, a JBS, mostram um executivo com jeito matuto e cometendo erros de português. Se, à primeira vista, sua postura parece estratégia de quem se faz de bobo para, no fim, ganhar alguma coisa, quem se aproxima vê que não se trata de postura forjada e que a simplicidade está nos hábitos e nos gestos mais cotidianos, apesar da vida de luxo que leva. (TUDO SOBRE A "REPÚBLICA GRAMPEADA")

Joesley guarda no escritório um caderno de ideias que considera interessantes, espécie de guia com tópicos sobre governança e filosofia de vida. São anotações banais, aparentemente sem sentido, como: “ninguém tem culpa da sua falta de tempo”, “pense no que precisa parar de fazer”, “acenda as luzes”. Em entrevista ao GLOBO, em 2012, ele explicou o significado da última frase citada:

— Eu descobri que as pessoas morrem de medo do escuro, andam com cuidado. Primeira coisa, ó, deixa eu acender as luzes: eu sou Joesley, você está na J&F, essas pessoas são fulano e fulano, vamos conversar uma hora sobre isso. Pronto, tiramos os fantasmas da sala. Outro sentido: quanto mais holofote você põe em tudo, o que está errado salta aos olhos e você vai lá, arruma. Quando não acende, aquilo fica meio por baixo e você fica postergando... — afirmou, à época.

LUZ ACESA

Acender a luz parece se encaixar como uma luva para explicar a decisão tomada por ele quando o cão farejador da Lava-Jato se aproximou de suas empresas: o empresário começou a gravar políticos — inclusive o presidente da República — e procurou a Procuradoria-Geral da República (PGR) para relatar circunstâncias nada republicanas envolvendo pagamentos a 1.829 políticos. Dali até a homologação do acordo, passaram-se apenas 40 dias.

Nos últimos meses, Joesley acompanhava a Lava-Jato de perto e intuía que um dia poderia chegar a seu quintal. Com o avanço das operações de suas empresas no exterior — principalmente nos Estados Unidos —, conheceu de perto as práticas no país para combater a corrupção. Defendia a implantação, no Brasil, de um programa de incentivo ao whistleblower (informante, em tradução livre), pelo qual agentes públicos ou empresários são incentivados a reportar às autoridades informações sobre malfeitos, prevendo-se inclusive o pagamento de um percentual dos recursos recuperados como forma de recompensa.

Quando o grupo J&F começou a chamar a atenção pelo volume de investimentos recebidos do BNDES e de doações oficiais a partidos políticos e campanhas (em 2014, foram R$ 366,8 milhões), Joesley passou a ser frequentemente questionado sobre os motivos de gastar tanto dinheiro com políticos. Gostava de contar aos interlocutores uma longa história, que começava assim:

— É uma coisa curiosa, de empresa grande. Você tem que ter um zelo absolutamente especial com cada stakeholder (público estratégico de uma empresa).

Continuando a explicação, Joesley dizia que não se sobrevive “sem se relacionar com esses caras”. E mais: “cada stakeholder quer uma coisa”.

— Você quer o quê? Notícia. O MP quer prestação de contas. O político? Apoio político. O funcionário? Motivação, salários, melhores condições. Com cada um você paga com uma moeda, paga com alguma coisa — simplificava.

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