Aracaju, 24 de Novembro de 2017
A UFS dá as costas para a cidade de São Cristóvão


Desde o início dos anos oitenta que a Universidade Federal de Sergipe (UFS) se instalou no município de São Cristóvão e até há poucos anos era a sua sede, o seu único campus. Além do seu campus, no Rosa Elze, em São Cristóvão, a UFS contava apenas com alguns prédios descentralizados, em Aracaju.

Hoje a UFS está espalhada em todo estado, com Campi em Laranjeiras, Itabaiana, Lagarto, Glória e Aracaju, além de mais 13 polos do Ensino a Distância. Entretanto o seu maior campus, em todos os sentidos, é o de São Cristóvão.

São Cristóvão acolheu a UFS e se orgulha de ter dentro do seu solo a maior e mais importante instituição de ensino do nosso estado. Mas, a recíproca não tem sido verdadeira.

Anteriormente até que algumas parcerias funcionaram, como o Festival de Artes de São Cristóvão e projetos específicos em áreas como Biologia, Odontologia, Serviço Social.

Para não dizer que nada há entre a UFS e os moradores de São Cristóvão, o Poder Judiciário, com o Fórum Gonçalo Rollemberg Leite, funcionando dentro da UFS.

Não vale incluir como parte da boa relação da UFS com o município de São Cristóvão a intenção de alguns componentes da UFS de doar área de terra pertencente à UFS (com mancha de Mata Atlântica) exclusivamente para abertura de avenida para condomínios de luxo grandes construtoras.  

Eu sempre que posso, nos fóruns e nos espaços onde tenho voz dentro da UFS, digo que a UFS dá as costas para São Cristóvão. E além de falar, eu – dentro das minhas limitações - já tentei quebrar essa resistência da UFS à cidade de São Cristóvão.

Quando fui prefeito do Campus, entre 2004 e 2008, tentei restabelecer os projetos, num convênio guarda-chuva. Tentei convencer a UFS a incluir a grade da programação da Rádio UFS FM um horário destinado às comunidades. Realizei diálogos profícuos com o saudoso prefeito Zezinho da Everest e com o ex-prefeito Alex Rocha.

Mais recentemente, como Ouvidor Geral da UFS, fui demandado para colocarmos na UFS uma feira de produtos orgânicos, artesanatos e doces caseiros, o que iria ajudar os vendedores locais e trazer uma opção de compra para os servidores e estudantes. Verbalmente quase todos da UFS eram favoráveis, entretanto ao transformar a ideia em processo, a resistência ficou estampada.

Há poucos meses a UFS acabou de proibir que moradores das comunidades vizinhas usem algumas instalações do Departamento de Educação Física (DEF), como pista de atletismo e campo de futebol, mesmo aos sábados e domingos. Isso vale também para os servidores da própria UFS. Proibir o uso das instalações do DEF nos dias e horários de aula é justo, afinal o DEF existe para a formação dos alunos ali matriculados. O que não se pode entender é a proibição nos dias que não esteja sendo usado.

Há décadas tantos servidores, quanto moradores do entorno usavam as instalações do Departamento Educação Física. Agora, da noite para o dia, a UFS proíbe o acesso dos moradores e dos servidores.

Outro exemplo da pouca importância que a UFS dá ao município de São Cristóvão e, principalmente ao seu povo, é que nem os feriados municipais de São Cristóvão são respeitados. Nem o dia de Nossa Senhora da Vitória, padroeira do município é respeitado pela UFS. Já nos demais municípios onde a UFS tem campi os feriados são respeitados e constam nos calendários acadêmicos como feriado.

Não respeitar os feriados municipais de São Cristóvão, além de refletir como um desrespeito à cidade e ao seu povo, também representa negligenciar feriados aos trabalhadores da UFS que atuam no Campus do Rosa Elze. Quantos feriados municipais em São Cristóvão nós servidores já perdemos?

Uma relação saudável entre a UFS e os moradores do entorno, além de demonstrar o papel de uma universidade pública, ajuda a estreitar a relação da instituição com seus vizinhos, possibilita ter a população local como incluída; aflora o sentimento de pertencimento.

Com a população local mais próxima, certamente episódios desagradáveis, como o roubo de armas de vigilantes dentro da UFS, poderiam ter sido evitados. Ou, concretizado o crime, a população poderia ajudar a solucioná-lo.

A UFS precisa voltar a se aproximar de São Cristóvão. A UFS precisa entender que o seu campus do Rosa Elze não se localiza na capital. Fica em São Cristóvão. Crescer e se fortalecer é um direito da UFS, mas não lhe dá o direito de se isolar da cidade que lhe acolhe tão bem.

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13/11/2017 A ARTE POLÊMICA
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